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Jovens Publicitários - Agências!


A comunicação está mais dinâmica, consequentemente a publicidade também. 
Sendo assim, o que será que o pessoal das gerações Y e Z pretendem como publicitário? 
O Adnews resolveu ouvir profissionais da WMcCann, Naked e AlmapBBDO em busca da resposta.
Os termos sociológicos classificam aqueles nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990 (Y) e de meados dos anos 1990 até hoje (Z). Estes últimos já foram classificados pela revista Time como arrogantes, preguiçosos, desinteressados, entre outros adjetivos nada gloriosos. Na publicidade, muitos se destacam e rebatem tais classificações. Quem não se lembra da jovem brasileira que figurou como a sétima publicitária - com menos de 30 anos - mais criativa do mundo (relembre aqui)?


Mas afinal, o que eles esperam das agências?
Carolina Nigro, redatora da AlmapBBDO, acredita que suporte é o mais importante. Ela diz que esse tal "suporte" dentro da agência pode vir de várias formas. Desde um simples conselho de alguém mais experiente até as referências que os jovens adquirem em sua rotina de trabalho. Ela lembra também que um job veiculado é outra grande vantagem de uma agência. "Se ela tem acesso à mídia e a clientes bons, isso ajuda você a trabalhar com ideias bacanas, que têm mais chances de serem viabilizadas. Ver uma ideia colocada em prática é o melhor retorno que você pode ter", acredita.
Natacha Engelmann, que é diretora de arte da Naked Lá na Vila, aposta no bom ambiente como fator diferencial. "Acho que tu tem que gostar de estar lá, das pessoas, do ambiente, porque senão o trabalho vira uma coisa ruim e quando alguém se sente obrigado a fazer algo, aquilo nunca vai ser feito do melhor jeito", revela.
A opinião é parecida com a de Bruno Surano, assistente de planejamento da WMcCann. Ele vê com bons olhos a possibilidade de trabalhar em um ambiente mais plural, acolhedor e que te ajude a olhar fora da caixa. "Trabalhar em um lugar onde você possa ampliar sua rede de amigos e não apenas de contatos. [...] Dentro desse ambiente mais amigável, fica mais simples se integrar e promover a junção do trabalho com um lado mais divertido", opina.
Jonathan Bordignon, o jovem criativo por trás do rebranding do Dolly feito para um TCC (reveja aqui), lembrou um ponto importante para o relacionamento colaborador/agência: os equipamentos do escritório. "Ninguém merece um computador que fica travando de 2 em 2 minutos, não tem quem aguente", diz o jovem que trabalhou na Du.Scatolin, agência do interior de São Paulo.
Surpresas de uma agência de publicidade
Também perguntamos aos jovens publicitários se algo da rotina das agências os surpreendeu. Para Lucas Ohara, redator da Naked, a proximidade de todos os cargos foi uma grata surpresa. "A cultura da agência alimenta um relacionamento muito aberto do diretor de criação ao estagiário". Natacha, sua colega de trabalho, concorda. "O sócios estão sempre abertos a conversar com qualquer um sobre qualquer coisa, os diretores de criação nunca foram seres de outro planeta e sempre estão próximos".
Bruno, da WMcCann, tem formação de economista, veio de um ambiente muito mais hostil do que o visto numa agência.  "Me sinto uma pessoa e não necessariamente um número. É um ambiente mais 'família'. Quase todos se conhecem e se respeitam. Grosseria é muito mal vista, o que me surpreendeu bastante. O respeito às diversidades é algo intrínseco à agência, como eu já esperava".
Jonathan revela que na agência em que atuava, o sistema de horas extras era remunerado e não por “banco de horas”. "Isso é um ponto muito forte, pois acaba rendendo uma graninha a mais já que o volume de trabalho é muito grande para se iludir em zerar o banco de horas, caso fosse assim", explica.
E já que o tema são horas extras, como eles encaram o ritmo de trabalho?
A rotina é puxada?
Para Natacha, da Naked, a resposta é sim. A diretora de arte acredita que o grande problema está no jeito como os clientes tratam as agências e como o processo todo acaba virando uma bola de neve. "Recebemos coisas pra fazer com prazo curto, muitas vezes para o dia seguinte ou para o mesmo dia, e não tem como pensar numa coisa legal de verdade com 'todo esse prazo'. Aí a gente acaba se matando pra tentar fazer alguma coisa diferente, mas nem sempre dá. Um job junta no outro e a gente não para nunca, e quanto maior a agência mais acelerado é o ritmo".
Na AlmapBBDO, uma das gigantes do mercado brasileiro, Carolina diz que há pressão em termos de prazo e qualidade. "Mas, como em tudo na vida, a maior pressão é sempre interna. Cabe a você querer oferecer mais e sempre melhorar. Principalmente quando você trabalha com pessoas muito boas, que elevam o sarrafo", diz.
Bruno, da WMcCann, diz que a rotina é parecida com a de outros profissionais. "Temos, sim, um ritmo agitado e corrido, assim como todas as profissões. O meu ritmo de trabalho hoje em dia é quase o mesmo de quando eu trabalhava no mercado financeiro. A única diferença é que, por ser um ambiente mais democrático, os horários em uma agência não são tão rígidos". Segundo o assistente, às vezes acontece de precisar ficar até mais tarde para entregar algum job ou, eventualmente, sair de madrugada. "Mas esses casos não são a regra".
Jonathan é mais enfático na questão. “O ritmo é sempre bem puxado, todos sempre sonham em fazer as coisas com tempo, com todas as etapas bem definidas (desde o brainstorm até a produção final), mas isso normalmente acaba sendo lenda”, diz para completar afirmando que a cobrança de fazer sempre algo novo e criativo torna o trabalho mais puxado ainda.
O que pensam os gestores?
Também ouvimos o que pensam as pessoas responsáveis por contratar estes jovens e avaliá-los no dia a dia. Para Debora Nitta, VP de Planejamento da WMcCann, há uma busca por gratificação imediata, crescimento e recompensa mesmo antes da garotada “ralar” bastante. "Vejo menos transpiração. Vejo muita certeza de tudo e pouco espaço para a curiosidade", analisa.
Cristiano Cezar, diretor de canais da Naked, tem opinião parecida. Segundo o gestor, a postura reflete a alta expectativa, talvez gerada nos convívios sociais do jovem, como o familiar, de amigos e até no acadêmico. "Eles esperam crescimento muito rápido e de certa forma acreditam estar melhor preparados do que seus gestores. Esta postura acaba por gerar conflitos e frustração".
Debora diz que um bom conselho seria praticar o exercício de ouvir, pois isto faz com que os profissionais fiquem melhores, tornem-se diferenciados, mais abertos ao novo, mais suscetíveis a tentar entender “antes de simplesmente criticar”.
Tatiana Shibuya, CEO da Naked, ressalta que os jovens que conseguem entender o “timing das coisas”, se destacam e acabam se tornando grandes profissionais.
E o futuro?
Jonathan ressalta que o mercado publicitário tem seus lados bons e ruins, assim como todas as outras profissões, cabe a cada um colocar na balança e ver se vale a pena ou não seguir em frente.
Para Bruno, a carreira de publicitário “não trata apenas de ‘vender’ coisas. Trata de pessoas, de descobrir verdades e explorar diferentes pontos de vista. Ter uma mente aberta e livre de preconceitos é essencial para seguir”.
Lucas, da Naked, sente “uma onda” diferente começando a chegar e que deve abalar o modelo de agências tradicional. “Pode até parecer pretensão, mas é uma coisa de geração mesmo. Acho que tem uma galera fazendo diferente que, espero, seja a cara do nosso futuro”, finaliza.
Por Leonardo Araujo

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