A ORIGEM BRASILEIRA DO TOPÔNIMO MACAU

13 ITENS QUE TRATAM DA ORIGEM BRASILEIRA DO TOPÔNIMO MACAU
Getúlio Moura Xavier
Escritor, fotógrafo e artista plástico

1. A versão que liga o nosso topônimo ao topônimo chinês foi propagada pelo mestre Luís da Câmara Cascudo através da revista “Bodas de Ouro da Ordenação Sacerdotal de Monsenhor Joaquim Honório da Silveira”, de 1952 e no seu livro “Nomes da Terra”, de 1968. Porém, sem querer provocar polêmica ou muito menos desmerecer a grandeza do professor Câmara Cascudo, considero como mais acertado os vestígios históricos da arara-vermelha no vale do rio Açu; que tem o nome científico “Ara macao”, assim identificada pelos jesuítas. Os ingleses trocaram apenas “o” por “w” para chamá-la “macaw”. Luís da Câmara Cascudo aventou a ligação mas não informou a existência de evidências históricas, de semelhanças geográficas ou de qualquer ordem que possibilitassem fazer a ligação do nosso topônimo ao nome chinês, em sua origem.
2. Ao conversar com o historiador Olavo de Medeiros Filho sobre o topônimo MACAU, ainda na revisão do meu livro “Um Rio Grande e Macau”, recebi dele o conselho de me aprofundar sobre a arara-vermelha que os europeus chamavam de macau, pois isto poderia esclarecer mais coisas do que um empréstimo da origem histórica de um lugar para ser a história do outro. Por enquanto a Macau brasileira faz homenagem a Macau chinesa. Olavo de Medeiros me expôs a sua condição, de não poder mais fazer este trabalho e, claro, abracei a causa, em honra a Olavo e a nossa Macau. Um mês antes do lançamento do livro com o resultado da pesquisa, meu amigo Olavo, um senhor tranquilo e fraterno, o historiador mais conciso do Rio Grande do Norte, faleceu. Antes disto, escreveu o prefácio do livro “Um Rio Grande e Macau”.
3. Evidenciando a beleza e abundância dessa ave no Brasil, no mapa-mundi de Cantino, de 1502 (Biblioteca Estense, Modena, Itália), figuram três araras-macau no nordeste das terras do futuro Brasil, onde as naus europeias chegaram, entre o final do século XV e início do século XVI.
4. Das aves exóticas contrabandeadas do Brasil para a Europa, a arara vermelha originalmente conhecida como ararapiranga ou macao e outra azul-e-amarela ararauna ou Canindé se destacavam como jóias vivas, cobiçadas pelos europeus. Os portugueses também as levaram para a China ao fazerem escalas no nordeste brasileiro para reabastecimento das frotas em suas viagens para a Ásia.
5. Existe um mapa francês com um plano de ocupação do Rio Grande do Norte, de 1579, do cartógrafo Jacques de Vaulx, guardado na Biblioteca Nacional de Paris, que demarca uma área com meio círculo onde abrange as terras que hoje é o Rio Grande do Norte, com legendas, ilustrações e informações econômicas e etnográficas. A foz do rio Açu é ali denominada de R. Premier (Rio Primeiro) e, onde hoje é a cidade de Macau, tem um desenho de uma arara, que os europeus chamavam macao .


6. Os Jandui, da etnia Tarairiú ou Tapuia, índios que tinham sua aldeia principal entre a lagoa do Piató e o rio Açu, enfeitavam suas cabeças e armas com as penas da arara-vermelha, como mostram as pinturas de 1641, do holandês Albert Eckhout: “Dança tapuia” e “Homem tapuia”. A segunda pintura retrata Jandui (ou Drarug), o “Rei dos Tapuias”, reconhecido como principal aliado dos holandeses durante a ocupação do Rio Grande do Norte; que se diferencia dos demais pelo cocar de penas das araras vermelha e azul-e-amarela, representando suas principais tribos (os Jandui e os Canindé). Estas telas e mais uma, “Mulher tapuia”, se encontram no Museu Nacional da Dinamarca.

7. Com ajuda do professor Benito Barros, encontramos nos livros antigos:
“Arára – Estes papagaios são os que por outro nome se chamão Macaos (...) he uma formosa ave em cores, os peitos tem vermelhos como graã; do meio para o rabo alguns são amarellos, outros verdes, outros azues (...) e o rabo he muito comprido (...) crião nas tocas das árvores, e em rochas de pedras. Os índios os estimão muito, e de suas pennas fazem suas galantarias e empennaduras...”
“Ararúna – Este Macao he muito formoso: he todo preto espargido de verde, que lhe dá muita graça, e quando lhe dá o sol fica tão resplandecente que he para folgar de ver; (...) são de grande estima, por sua formosura, por serem raros...” - Pe. Fernão Cardin, 1548 -1625.
- “Arara he um gênero de papagaio que chamão os portuguezes macao; são vermelhos e amarelos e azuis; são grandes como grandes gaviões e o rabo tem as penas da mesma cor (...) falão bem claro e voz grossa.” - F. Soares, 1594


8. Vários relatórios e desenhos dos vegetais, animais e indígenas do nordeste brasileiro, feitos entre 1637/1644, pelos naturalistas e artistas da corte de Nassau, foram preservados em bibliotecas da Europa e publicados no Brasil 8 volumes da coleção “Brasil Holandês”, entre eles “The Pictures in the Hoflössnitz Weinbergschlösschen” e “Coleção Niedenthal/Animaux et Oiseaux”, destacando a arara-vermelha em pinturas e relatos, sendo observada a utilização genérica do nome macao ou macaw para outras araras, além da vermelha; fato constatado no livro “Tratados da Terra e Gente do Brasil”, do padre Fernão Cardin (1548/1625).
9. Um fato interessante, a Macau chinesa escrevia seu nome como “Macao”, entre os séculos XVII e XVIII, a mesma grafia que identifica a arara-vermelha no século VXI e que assim identificava a Macau brasileira, ainda em seu estado natural.
10. A ilha brasileira “Macao” tem este nome registrado numa “RELAÇÃO DE 13 LÉGUAS DO DISTRITO DO MEU COMANDO, pertencentes ao Coronel Bento José da Costa, morador da praça de Pernambuco, (...) compreendendo a ILHA DE MANUEL GONÇALVES (...), a ilha denominada MACAO com uma légua de Leste a Oeste, e meia de Norte a Sul, não habitada, não serve para criar, por não ter água. (...)”. Este documento é o resultado da conferência para compra, conforme a “ ESCRITURA DE VENDA QUE FAZ D. FRANCISCA ROSA DA FONSECA (de 15 de maio de 1797) , de todos os terrenos e fazendas de gados que possui no Sertão do Assu, a Domingos Afonso Ferreira e ao Tenente- Coronel Bento José da Costa (...); igualmente, dos lugares chamados MACAO, TRAPICHE, QUATRO BOCAS, ARMAZÉNS, BARREIRAS, que houve por legítima dos seus falecidos pais - Francisco Carvalho de Valcacer e Joana Maria da Fonseca.
11. Na bandeira da Macau brasileira consta a expressão “A-Ma-Ngao”, do antigo povoado chinês, adotada pela cidade brasileira por desconhecimento de outra versão que definisse o seu topônimo, além da versão de Câmara Cascudo, sem uma pesquisa mais acurada, nem antes nem depois de 1975, até o lançamento do livro “Um Rio Grande e Macau”, em 2005. Há quarenta anos, as autoridades da Macau brasileira desfilaram pelas suas ruas exibindo o brasão da Macau chinesa como se fosse seu, uma situação lastimável e até deprimente aos olhos de hoje. Este brasão ampliado num painel, utilizado no referido desfile, encontra-se no museu da cidade salineira.



12. Sobre a Macau chinesa, disse Paulo Carmo (in Revista MACAU - Livros do Oriente, nº 45, janeiro de 1996): “Assim como à ‘ilha do tesouro’ está ligado um papagaio, também ‘Macau’ o nome que é uma aventura, está ligado, por homofonia, ao de um pássaro - ara macao -, a que costumamos chamar arara e que os ingleses denominam ‘macaw’, que habita nas florestas tropicais da América do Sul. Desde os princípios do século XVI, quando os portugueses começaram a trazer estas coloridas aves para a Europa, que o seu nome é como um sinônimo de exotismo”.
13. Com as evidências encontradas, a história parece se inverter. A Macau chinesa, possivelmente, presta homenagem a Macau brasileira, ao tratar da origem do nome MACAU.

REN.ATO Inspiramais +Estampa

 A convite da Assintecal estou nessa semana em São Paulo participando do Inspiramais - XI Salão de Design e Inovação de Materiais. Show Room de contatos, Feira e Fórum de Inovações do Setor de Vestuário, Calçados e Assessórios Nacionais.
Colaborador no Projeto +Estampa que tem por objetivo o desenvolvimento e a criação de estampas inovadoras, com DNA 100% nacional, propondo a incorporação da originalidade como forma de reduzir a cultura da cópia e aumentar a compra de estampas genuinamente brasileiras por empresas do setor de calçados e confecções.
A inovação é o eixo central do projeto, estabelecendo uma cooperação direta com o setor de Moda e fomentando a valorização da identidade Cultural como um excelente Commodity para o sucesso do Comércio Internacional.
O +Estampa é uma realização da Assintecal, do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB), do Instituto Nacional de Moda e Design (In-Mod) e da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Maiores informações e imagens entrar no site do evento! 
www.inspiramais.com.br

Camapum

Camuflada em folhas secas, saboreada pura ou coberta de chocolate, delicada e deliciosamente ácida, a physalis faz sucesso no Brasil.


A physalis é uma fruta que tem tudo para ser considerada exótica: nome, aparência e preço. Apesar disso, no Norte e Nordeste do país é comum nos quintais e é conhecida por nomes que não podiam ser mais brasileiros: camapum, joá-de-capote, saco-de-bode, bucho-de-rã e mata-fome. Desponta selvagem nas paisagens do Norte e do Nordeste. Popular nos quintais das casas do interior da Bahia. No Pará, cresce em abundância. O costume local sugere o uso das raízes da planta (homônima) no tratamento da hepatite e da malária. Os índios da Amazônia batizaram a physalis de camapu. Essa variedade nativa é a Physalis angulata, da família das solanáceas, a mesma do tomate, da batata, do pimentão e das pimentas.

Originária da Amazônica e dos Andes, a physalis possui variedades cultivadas na América, Europa e Ásia. Na Colômbia, é conhecida como uchuva e no Japão, como hosuki. É uma planta arbustiva, que pode chegar aos dois metros de altura.
Uma fruta pequena, bonita, delicada e de sabor ácido começa a brilhar nas mesas requintadas do país, ao fim das refeições, em parceria com o café. A physalis apresenta-se pura ou recoberta de uma camada de chocolate, em fascinante contraste de cores e sabores. Nativa das regiões temperadas e tropicais, tem a parte comestível protegida por uma delicada folha seca, assemelhada ao papel de arroz. A cor da fruta vai do amarelo ao verde, passando pelo vermelho.
Apesar da popularidade entre os habitantes das florestas, a physalis só agora começa a conquistar status no meio urbano. Os supermercados das grandes capitais, porém, oferecem a fruta importada da Colômbia, já que a brasileira tem produção ainda bastante tímida. Além de saboreada in natura, a physalis revela-se ótimo ingrediente para sorvetes e compotas. Mas talvez a mais perfeita de suas combinações seja com o chocolate. No restaurante paulistano Palazzo Grimaldi, o chef italiano Luciano Boseggia manda physalis parcialmente cobertas com chocolate junto com o expresso, acomodadas num pratinho de petits-fours. A feliz parceria da fruta com o chocolate também pode ser conferida nos bombons da marca artesanal paulistana Busy Bee. Pelo primor da combinação, pode-se apostar que a lista de delícias à base da fruta e do chocolate deve aumentar no país.



É rica em vitaminas A, C, fósforo e ferro, além de alcalóides e flavonóides. Purifica o sangue, fortalece o sistema imunológico, alivia dores de garganta e ajuda a diminuir as taxas de colesterol. A população nativa da Amazônia utiliza os frutos, folhas e raízes no combate à diabetes, reumatismo, doenças da pele, bexiga, rins e fígado. Estudos científicos recentes em andamento e ainda não concluídos revelaram forte atividade como estimulante imunológico combatendo alguns tipos de câncer além de efeito antiviral contra os vírus da gripe, herpes, pólio e HIV tipo 1. Mais recentemente cientistas da Fundação Oswaldo Cruz do Ceará descobriram uma substancia chamada "physalina" que atua no sistema imunológico humano evitando a rejeição de órgãos transplantados. A FioCruz e seus cientistas estão requerendo a patente desta descoberta.


Naquele meu tempo de criança toda praça e todo quintal q prestava tinha um pé de camapum pra entreter a galera. Eu ficava mesmo com um gosto danado quando estourava um camapum na minha própria testa.

Aqui na revista Globo Rural vc pode aprender a plantar e tudo mais!




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